Há 20 anos atrás, quando Super Mario World estava no auge, Pokémon Fire/Red e Ocarina of Time estavam chegando e muitas surpresas eram aguardadas para o Nintendo 64, jamais se imaginou que esses jogos rodariam em outra plataforma que não fosse Nintendo, devido ao sucesso e a identificação que a empresa tem com suas crias. Os tempos mudaram e vemos, de forma não oficial, Mario e Zelda em smartphones, PCs e até no Xbox One atualmente, sem contar os projetos de fãs e modificações em outros games, a grande pergunta que paira no ar é: até aonde é seguro facilitar esse acesso à propriedades intelectuais tão certas de retorno?

Era uma vez…

Emuladores, pirataria e uso indevido de marcas/produtos licenciados e patenteados por uma empresa não é novidade para nós que estamos cercados por tecnologia, quem não lembra do Dynavision 2 (NES) e do Phantom System (Mega Drive)? ou o mais recente Polystation (PS1) e os diversos jogos de PS2 comprados na barraquinha? Esse “modo alternativo” se espalhou entre os softwares devido a facilidade de download e gravação em mídias, chegando hoje até aos navegadores, rodando pela internet ou facilitando a aquisição de um jogo ou programa que deveria ser pago.

Polystation: uma das cópias mais frustrantes do anos 2000

Polystation: uma das cópias mais frustrantes do anos 2000

Engatinhando

A gratuidade é uma premissa muito forte para conquistar um público novo no mercado de software/jogos, muitos produtos são disponibilizados sem nenhum custo com um objetivo por trás para com o seu consumidor – não, a empresa não está sendo boazinha com você. Muitos, principalmente na última década com os apps para smartphones, cresceram baseados nessa estratégia, mais usadas em empresas pequenas, mas perfeitamente aplicáveis nas gigantes que precisam explorar outros nichos.

A Nintendo não parece – ou não quer – entender isso ainda, o máximo de gratuidade que vemos da Big N são demos com limite de uso ou algum spin-off que saem para consoles da empresa (???). A abertura para o mercado Mobile é algo a se comemorar, fazia tempo que não se via a Nintendo tão em evidência quanto nos últimos 3 meses, devido a Pokémon GO (que não é dela) e Super Mario Run, agora é correr atrás de praticamente uma década perdida no tempo esbarrando na teimosia de sempre visar o retorno financeiro em tudo que criava.

Super Mario Run chegará primeiro para iOS

Super Mario Run chegará primeiro para iOS

Os dois lados da Moeda

Esse embate já acontece há algum tempo e só agora a Big N parece perceber que é perda de tempo brigar contra algo que já está espalhado pela web e tem a diferença tecnológica, antiga e atual, como a saída para sempre despertar uma “ideia” nova logo depois de alguma ação da empresa. Por outro lado, se tornar uma nova Sega e sair liberando tudo para outras publishers e não fiscalizar projetos de fãs ou a pirataria de produtos acabará com todo o valor que suas franquias têm e tornará a empresa refém da nostalgia daquele pessoal que sempre dá um jeitinho que relembrar os games clássicos.

Muito do alvoroço dessa nova fase da Nintendo, uma empresa disposta a sair do seu mundinho, arriscando um pouco mais em outras plataformas, é pelo fato dela não ter essa personalidade, todo tempo sendo reservada e fechada em seus consoles estão sendo recompensados agora, com a possibilidade de tornar real algo que muita gente espera há tempos. Explorar isso de um jeito desesperado, pensando no retorno apenas em questões de vendas, ações ou rebuliços no mercado podem colocar tudo por água abaixo, perdendo toda a magia que sua originalidade traz.

Hora de oficializar tudo!

Aproveitando todo esse embalo de ver a Nintendo nos celulares, novo programa de recompensas (tsc) e um novo conceito de console, a grande saída para todos ganharmos e a pirataria perder é oficializar alguns produtos ou criar formas alternativas para trazer esse público que não curte muito pagar pelo que desfruta – até porque as alternativas para isso são escassas atualmente.

Além de lançamentos como o NES Mini (já oficializado) e apps que conectam com os jogos (Animal Crossing e Fire Emblem saem ano que vem), remakes de Pokémon do Game Boy (por favor Nintendo, eu imploro) e Virtual Console nas lojas de aplicativos seriam avanços importantes para agradar o público jovem e o antigo. Não impactar nas vendas dos consoles é o grande desafio de se abrir tanto para outros meios, mas se pensarmos que o Wii U já não foi uma maravilha de vendas e o 3DS não deve perder o fôlego, vale a pena arriscar.

NES Mini chega ainda em 2016

NES Mini chega ainda em 2016

Mais do que disponibilizar seus jogos, mais do que se abrir para outros mercados e mais do que fazer parcerias com outras empresas, a Nintendo precisa ser coerente com a sua filosofia de fazer jogos, que é para a diversão do jogador. A Nintendo não vem sendo muito divertida e amistosa nos últimos anos, o sucesso do Wii (em vendas) acabou aumentando o atrito com outras empresas, isso refletiu nas Thirds do Wii U e já deixou o sinal de alerta ligado, não há mais espaço para outro fiasco com esses parceiros. Tomar uma decisão irremediável é arriscado demais para o momento de transição da Big N, mas ela é a única que pode levantar a bandeira branca pela paz e possibilidades de novos caminhos que só ela pode percorrer.

Este post foi escrito por Jonatas Marques

De RPG japonês até Candy Crush genérico, se me prende a atenção, estou jogando! Essa paixão transcendeu para a internet, onde escrevo sobre games na NL e no Medium.

Veja outros posts de