NL Compara: Zelda vs. Horizon

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No início do ano surgiram dois grandes títulos que foram antecipadamente colocados no posto de grandes candidatos ao prêmio de Jogo do Ano: Zelda e Horizon. Comparações foram feitas e fãs digladiaram para decidir qual jogo seria melhor. O Tovar e o Jow jogaram ambos os jogos e, neste post, dão o parecer deles sobre quem leva a melhor. Fique tranquilo, nossa comparação NÃO possui spoiler algum.

No entanto, antes de começar queremos deixar claro que tratam-se de dois jogos excelentes e que as opiniões apresentadas são de caráter pessoal. Dito isto, vamos ao post.


HISTÓRIA

Tovar

Ambos os personagens desconhecem o passado, mas o Horizon leva ligeira vantagem na “descoberta do motivo pelo qual o mundo ficou dessa forma”. No entanto, nos quesitos “desfecho da história” e tamanho da campanha principal, Horizon tem ampla vantagem.

As side-quests de ambos são um espetáculo à parte, cada história contada faz você se importar e te dão um contexto para que você sinta vontade de ajudar aquele NPC aflito. Aqui eu vejo um empate claro.

Vencedor: Horizon Zero Dawn

Jow

O único quesito onde temos uma grande diferença entre esses dois jogos é a história, e quem leva essa é Horizon. Mesmo sendo mais sequencial e com personagens mais genéricos daqueles que vemos em Hyrule, o universo de Aloy é nos apresentado muito melhor, equilibrando responsabilidade e liberdade para criar uma narrativa do zero, enquanto Zelda, por mais inovador que seja, sempre estará “preso” a elementos de sua franquia. Em nenhum dos casos temos surpresas ou reviravoltas marcantes, mas enquanto Horizon cresce conforme você se situa naquele mundo, em Breath of the Wild quase tudo é contado após 1h de jogo e dali pro final a história segue o mesmo ritmo.

As sidequests aproximam um pouco mais os dois games, mas ainda com uma ligeira vantagem para o lado de Horizon. A Guerrilla Games jogou muito The Witcher 3 para implementar as missões secundárias em seu game, não soam tão natural como no jogo do bruxão, mas a maioria contém uma história com uma profundidade que te convence a completá-la. Zelda talvez tenha a melhor sidequest da geração (from the ground up, onde você ajuda na construção de uma vila), mas decepciona na repetição de tarefas, como caçar itens ou tesouros. As Shrines secretas compensam um pouco em Zelda, mas Horizon ainda leva a melhor.

Vencedor: Horizon Zero Dawn


JOGABILIDADE

Tovar

Os dois souberam trabalhar com o conceito do mundo aberto e entregaram uma experiência excelente. Entretanto, no Zelda, é possível ir para qualquer lugar do mundo (seja escalando, planando, nadando, ou de qualquer maneira que sua mente deseje), já o Horizon é mais “amarrado” e tem hora que incomoda o fato de a Aloy não conseguir subir em uma pedra que está na altura de seu pescoço (bastaria colocar a mão para subir).

Além disso, Link tem uma integração maior com o ambiente a sua volta. Chuva, neve, lava, fogo, tudo altera o cenário de alguma forma e o Link sofre com os efeitos causados, podendo até mesmo utilizá-los a seu favor (usar o raio de uma tempestade para matar inimigos, ou queimar a grama para alastrar o fogo e incendiar inimigos). No Horizon, a Aloy não sofre influência das intempéries (pelo menos não que eu tenha percebido) que existem apenas para atrapalhar a sua visão dos inimigos.

Quanto ao combate, ambos têm arco-e-flecha e armas de mão. Horizon trouxe o conceito de armadilhas e conversão de inimigos; por outro lado, na minha opinião, Zelda leva pequena vantagem, pois permitiu que você utilize o próprio cenário como arma (pedras, barris e, como dito anteriormente, raio) e utilizar escudo como método de defesa complementar à esquiva, permitindo que se defenda de golpes e até mesmo rebater alguns ataques. Além disso, as armas de Zelda quebram, enquanto de Horizon não, e isso faz com que você pense duas vezes antes de usar uma arma forte em inimigos fracos.

Vencedor: Zelda

Jow

Há uma característica fundamental para a escolha nesse quesito: o uso da Física, onde Zelda está muito a frente de qualquer jogo de mundo aberto. Rolar pedras e explodir barris contra inimigos requer mais do que uma simples interação com o objeto, um ataque surpresa pode facilmente se virar contra você. A interação com o ambiente é outra grande vantagem em BotW, é preciso se preparar para encarar frio, calor, chuva e até trovões, Aloy tem até uma fala para a mudança de temperatura, mas não altera o seu status.

A dificuldade é outra pedra no sapato de Horizon, basta algumas horas de jogo e já é possível passar por hordas de inimigos sem muito esforço. O modo Stealth do game é o maior culpado nisso, a possibilidade de converter máquinas e alguns upgrades em Arcos e Trajes te deixam praticamente invisível contra uma IA fraca e repetitiva, enquanto em Zelda temos armas finitas e uma escassez de esconderijos para compensar a facilidade no combate.

Vencedor: Zelda


ELEMENTOS DE RPG

Tovar

Ambos os jogos “importaram” elementos de RPG. Horizon trouxe árvore de habilidades, sistema de níveis, utilização de runas em equipamentos, craft de itens e de munições. O sistema de níveis do personagem é, no entanto, apenas um incrementador de life e “desbloqueador” de pontos para utilização na árvore de habilidades.

Por outro lado, Zelda trouxe craft de alimentos e poções (permitindo criar itens exclusivos que atendam às mais diversas necessidades), evolução das roupas e o personagem evolui stamina ou life (você escolhe o que quer evoluir) nas Shrines e nas Divine Beasts. O craft de itens no Zelda – diferentemente do Horizon que permite craft de itens específicos (poção de cura é poção de cura, poção de resistência é poção de resistência, etc) – permite uma customização de acordo com suas necessidades. Precisa de uma poção contra fogo que dure mais tempo? É possível! Precisa de uma que dure 1 minuto? É possível também! O segredo está nos ingredientes para confecção da receita. Descobri-los é algo interessante também e eu me sentia um verdadeiro mestre-cuca.

Além disso, a utilização de roupas do Horizon é feita utilizando-se “conjuntos” (como se fosse uma única peça de roupa), enquanto que no Zelda as roupas são divididas em três partes: cabeça, pernas e torso. Isso abre um leque de possibilidades de você fazer roupas resistentes, por exemplo, a frio e a eletricidade ao mesmo tempo. No Horizon isso é compensado com a utilização das runas.

Sinceramente, não vejo um vencedor claro nessa situação. Ambos são excelentes jogos e as mecânicas de RPG foram magistralmente implementadas, mas já que tenho que dar um parecer, vejo uma  vantagem para o Zelda aqui, pois o personagem é mais “customizável” e “adaptável”.

Vencedor: Zelda

Jow

Essa é uma das categorias onde vemos um ótimo trabalho nos dois jogos, mas o estilo de níveis e árvores de habilidades me agrada mais. Zelda e Horizon se complementam nas possibilidades de evolução do personagem, Zelda usa a recompensa de mini dungeons para o upgrade de stamina e HP, exige um cuidado com as armas e utiliza a criação de itens apenas para poções e elixirs; Horizon tem níveis para aumentar a saúde e adquirir habilidades e utiliza o craft para o upgrade de todos os recursos. Apesar de Zelda ser mais desafiador, lembrando até um jogo de sobrevivência, alguns elementos fazem falta, como utilização de level para tornar uma arma infinita ou upar o inventário (ninguém merece caçar 900 sementes de Koroks).

Vencedor: Horizon Zero Dawn


DIREÇÃO ARTÍSTICA

Tovar

Quando decidimos colocar esse item eu falei: “sério?”. Os jogos têm excelentes músicas e excelentes gráficos, é difícil compará-los.

Um segue a linha mais “realista” e outro seguindo a linha mais “desenho”. Nesse ponto não há como comparar os dois, acho que há um empate aqui. Eu realmente aprecio a forma como foram entregues. Só uma observação: pela escolha feita, Zelda tende a sobreviver mais aos efeitos do tempo. Jogos realistas datam muito mais rapidamente do que os jogos mais desenhados.

Quanto ao som, tive o cuidado de jogar ambos os jogos com fones de ouvido para ter a ideia exata da trilha sonora e como foi utilizada. Foi corajoso da parte da Nintendo deixar as trilhas sonoras clássicas de fora desse game e as batidas de tambor tribal do Horizon realmente empolgam. No entanto, acho que eu “senti” mais a trilha sonora do Zelda. Parecia que a trilha realmente estava falando comigo, estava integrada ao ambiente como um todo (até na ausência de música). Isso não significa que a trilha do Horizon também não tenha conversado comigo, achei ela sensacional e não tiro a razão dos que não concordam com meu veredito. Essa comparação é muito difícil e pessoal.

Vencedor: Zelda

Jow

É uma categoria injusta para a Guerrilla Games, que fez um bom trabalho em visual e trilha sonora, mas seu concorrente é desleal nesse quesito. Breath of the Wild já encanta pelo seu aspecto em Cel Shading ser tão próximo ao realístico, nos apreciando com incríveis paisagens e nos mostrando diferentes traços para cada personagem. O que torna esse trabalho mais impressionante é a limitação para o game rodar no Wii U e o resultado é mais do que satisfatório, sem dever quase nada para a versão definitiva no Switch. Horizon faz a lição de casa, mas repete erros de grandes jogos, como abusar da repetição de faces em NPCs.

A trilha sonora em ambos os jogos se mostram ausentes devido ao tema pós-apocalíptico, mas Zelda, novamente, vai além do que só colocar uma musica de fundo. É fácil para se acostumar e entender os sons em Horizon, quando aumentamos um nível, adquirimos um item raro ou nos aproximamos de uma área com inimigos, em Zelda isso faz parte do gameplay como um todo, já que a trilha é baseada no percurso de Link e tudo soa muito autêntico e real. Claro que sentimos falta de Saria Song ou o tema clássico de Gerudo Valley, mas algumas novas canções, como Kass Theme e Rito Village (Night), suprem essas ausências.

Vencedor: Zelda


Veredito

Queremos ressaltar que os dois são excelentes jogos, e um ser considerado vencedor não desmerece em nada a experiência fornecida pelo outro. Ambas as equipes de desenvolvimento entregaram jogos que deveriam (se fosse possível) ser jogados por todos aqueles que amam um grande jogo. Dito isso, amigos, o critério usado foi meramente matemático, ou seja, consideramos os 5 votos para o Zelda e os 3 votos para Horizon. Por isso, o vencedor é:

Esperamos que tenham gostado e que deixem pra gente, nos comentários qual é o seu vencedor em cada quesito e o porquê.

Até o próximo post!

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Tovar

Nintendista desde os 8-bits, pulei somente a geração GameCube (que recuperei com o Wii). Atualmente jogo Wii, NDS e Wii U. Sou fã de The Legend of Zelda, Donkey Kong, Mario, Mega Man, etc. Resumindo: sou fã de jogo bom!

  • Caio Bruno

    Excelente comparação, joguei muito o Zelda(mais de 100 horas, todos os shrines, todas roupas e etc) e Platinei o Horizon, concordo com a maior parte dos argumentos que li. Adoro comparações.

    • NintendoLovers

      Dois grandes jogos! Agradecemos a participação e o elogio. 🙂

  • Rubens Mateus Padoveze

    Gostei de ler os pontos, acho que mesmo tendo uma vitoria ambos daria boas experiências.

    • NintendoLovers

      Sim, Rubens! São dois excelentes jogos e que merecem ser jogados. 🙂

  • Eraldo Barril Ferreira

    Acho quase impossivel o Zelda Breath Of The Wild não levar o premio de melhor jogo do Ano. Para mim até o momento Zelda e Horizon Zero Dawn são os dois melhores jogo de 2017… No mais parabéns pela ótima matéria…

    • NintendoLovers

      Valeeeu Eraldo. Bom que curtiu. 🙂

      E sim, os dois são grandes jogos e brigarão pelo título de jogo do ano. Rs

      Obrigado pela participação.

      Abração.