A Nintendo precisa evoluir

Ser nintendista nos dias atuais nem sempre é fácil! Precisamos ceder em tantos aspectos que às vezes chega a ser desanimador. Temos que aceitar consoles que até 2017 ainda tinham travas de região, que possuem métodos de adicionar amigos por códigos e que não têm suporte online decente. Temos que ver consoles portáteis como 3DS sendo lançados sem o carregador. 

Temos que acolher um chat por voz feito na mais pura gambiarra, em que você liga um headset gigantesco no switch e no celular ao mesmo tempo. Ouvimos desculpas esfarrapadas de um presidente da filial norte-americana dizendo que isso é uma baita inovação. E o pior, temos que aceitá-la, pois será a única oferecida. Porém , fique tranquilo, pois Reggie nos disse que isso será bom! Você acredita nele? Pois é, nem eu! Segue a infeliz declaração do Reggie:

Em vez de ter algum tipo de headset gamer volumoso, você será capaz de se comunicar com outros jogadores direto de seu smartphone, colocando seu fone de ouvido que utiliza em seu celular. Nós achamos que esta é uma solução muito boa.

Sério? Isso será bom? A concorrência já utiliza fones convencionais no chat dela. Pergunto de novo: é sério isso?

Além do incômodo de ter que utilizar um headset gambiarrado, agora nos obrigam a aceitar um voice chat em que você não pode desligar a tela do dispositivo, ou seja, ver qualquer coisa no celular (mensagens, redes sociais etc) enquanto usa o voice chat, nem pensar. Skype, Hangouts e outros apps permitem conversas em segundo plano, mas a Nintendo não permitirá algo que nos dias de hoje é básico. Prevejo uma situação corriqueira: você jogando com seus amigos e o telefone começa a tocar, parando a conversa e deixando seu amigo sem saber se você caiu. 

Todavia, sinceramente, não quero ouvir a desculpa do Reggie, pois será mais uma desculpa esfarrapada tentando justificar uma imbecilidade injustificável. Se fosse em 1980 esse sistema de voice chat seria aceitável, nos dias de hoje é amadorismo e beira o ridículo. Me desculpem o desabafo, mas a Nintendo não pode ser tão amadora assim, ela é gigante e merece coisa melhor do que essa incompetência à qual está submetida.

Temos que nos acostumar com a ideia de que a empresa não está nem aí para o nosso país e para o ocidente como um todo (a apresentação de janeiro comprova isso). Temos que engolir seco um console recém-lançado sofrer, dia após dia, com a falta de estoque; e não, meus amigos, não é falta  causada pela demanda, mas sim por que a Nintendo não está conseguindo produzir em uma quantidade minimamente aceitável. E se as notícias atuais de concorrência da Apple por peças estiverem certas, o Switch será cada vez mais raro de encontrar. Afinal, alguém acha que, entre empresas de smartphones e de videogames, a de consoles prevalecerá? Não! A de smartphones sempre prevalecerá. É só olhar o número de celulares vendidos vs. o número de consoles (de todas as marcas). Mas durante o projeto do console a Nintendo não previu este risco que é tão previsível.

Mini-NES, outro grande problema com os estoques. No mundo todo houve problemas e os preços, por isso, foram às alturas. Lembro que recentemente pesquisei nos EUA o mini-NES para comprar, porém não estava disponível em lugar algum, e onde eu encontrava estava com o preço de 150 dólares. E nem vou falar do Brasil, pois aqui os preços são absurdos por natureza. 

Amiibos também demonstram claramente que a Nintendo não sabe repor o estoque. Certa vez, li na Kotaku um post muito interessante (leia aqui – em inglês) sobre como a Nintendo causou o aumento da procura pelas tags NFC piratas. Vou tentar resumir: Amiibos de Breath of the Wild e outros Amiibos importantes estão em falta ou com estoques reduzidos e a demanda por eles é bastante alta. E para piorar, a Nintendo tem uma capacidade de produção deveras limitada, ou seja, lei da oferta e da procura fazem os preços subirem muito, simples assim! 

No entanto, para gozarem da plenitude de seus jogos utilizando Amiibos as pessoas, infelizmente, não encontram meios oficiais de fazer isso, já que, como dito anteriormente, a Big N falha miseravelmente na reposição. Além disso, com os preços inflacionados, as tags são uma alternativa muito mais barata. Se a pessoa não liga de não ter o bonequinho, esta é uma opção pra lá de tentadora. 

Temos que lembrar que Amiibos antigos dão itens exclusivos em alguns jogos (ex: Link, do Super Smash Bros, dá a Epona no BotW). Então, o que fazer, caro leitor, se a Nintendo não repõe o estoque? Correto ou não, só resta uma opção, não é? Repare que este post  não é uma apologia à pirataria, apenas estou apontando um problema que a Nintendo quer combater, mas que ela mesma causa. 

Enfim, a Nintendo indubitavelmente sabe cuidar das suas marcas e suas propriedades intelectuais, mas parece amadora produzindo seus produtos físicos. Todos os grandes lançamentos dela sofrem com o estoque baixo de produtos. 

É triste, mas a Nintendo precisa se profissionalizar. Centralização de fabricação de seus produtos em um mercado globalizado é retrógrado e, desculpem a expressão, de um amadorismo sem limites. Fechar parcerias com fábricas (ou montar outras fábricas ao redor do mundo) é uma obrigação no mundo atual. Precisa atender à demanda. É necessário atender às nossas necessidades. Afinal, queremos consumir produtos da Nintendo, queremos mostrar a todos que somos nintendistas, mas como fazemos isso se simplesmente a Nintendo não facilita as coisas?

É! Tá difícil ser nintendista! Mas isso faz parte da nossa personalidade e em meu caso (acredito que muitos se identificam também) de minha criação no mundo gamer. Nos resta torcer para que um dia a Nintendo evolua e a gente não tenha esses tipos de problemas.

É isso, pessoal! Até o próximo post! 

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Tovar

Nintendista desde os 8-bits, pulei somente a geração GameCube (que recuperei com o Wii). Sou fã de The Legend of Zelda, Donkey Kong, Mario, Mega Man, etc. Resumindo: sou fã de jogo bom!