Stardew Valley já era conhecido antes de chegar ao Switch, depois do seu ótimo lançamento em 2016, mas a combinação entre o console e o game fizeram de Stardew, também em 2017, um dos jogos mais aguardados do ano. Um portátil rodando um RPG/Simulação que se passa em uma fazenda, parece que não tinha como dar errado, mas ainda haviam desafios para a Chucklefish nesse port.

Após criar seu personagem – podendo escolher a roupa, estilo de corte de cabelo, cor de pele e dos olhos e determinar alguns gostos – o jogo mostra o quanto a vida corporativa o cansara, decidindo largar tudo para começar uma aventura em Stardew Valley, cidade onde uma fazenda havia sido deixada de herança para o seu personagem. A partir daí é que a magia começa, te mostrando apenas uma fazenda precisando de cuidados e alguns personagens que você precisará se relacionar, a evolução aparece em sidequests e missões principais que podem ser completadas da maneira que o jogador escolher, com exceção daquelas que exigem tempo ou requisitos para serem concluídas. Craft e venda de itens, melhoria de ferramentas, status sociais com os vizinhos, produção de itens através do plantio e criação de animais e uma história misteriosa são alguns dos motivos para Stardew Valley conseguir prender tanto o jogador, mesmo não sendo em tempo real – tempo que, aliás, é um atributo essencial para progressão no game. São 4 estações, cada uma tem 28 dias, cada dia demora 13,5 minutos para passar (ao pausar o jogo, esse tempo para) e há uma barra de energia e uma de saúde para você usar por dia, nesse tempo é preciso gerenciar a colheita e os eventos de cada estação e focar seus dias em cumprir missões, explorar a mina para craftar itens melhores ou subir o nível de relação com seus vizinhos. Parece estranho ver tanta coisa logo no começo do game, mas a forma como Stardew te apresenta, com suporte para Português-BR, é outra qualidade que o game traz.

A jogabilidade é outra surpresa agradável em Stardew Valley, transformando a repetição e movimentos monótonos em algo agradável e que passa a sensação do que é arar a terra, cortar a grama e árvores e quebrar pedras – e o HD Rumble dos Joy-Cons ajudam nisso. O personagem se move em 8 direções, sendo possível ficar parado apenas em 4 posições (norte, sul, leste e oeste), há botões para interagir com o item ou ferramenta equipada, R e L funcionam muito bem para a troca de itens rapidamente e os atalhos para o inventário e para os menus de missões e artesanato também estão bem posicionados, ainda não é possível alterar os botões no Switch.

O visual e som em Stardew seguem o alto nível dos outros aspectos do jogo, e isso é muito importante. Os gráficos em Pixel Art e a definição clara de cada objeto torna esse trabalho ainda mais valioso, considerando a dificuldade na execução desse estilo e a facilidade que ele nos dá para diferenciar um ovo de uma pedra ou uma planta que faz parte do plano de fundo de uma que podemos interagir. Os cenários também conversam muito com o jogador, já que temos referências pontuais para cada tela que passamos, sendo fácil decorar os caminhos para diferentes destinos; a solução para os NPCs não terem a mesma cara de pixel foi combinar roupas e estilo/cor de cabelo de forma única, ainda assim é preciso consultar a lista de vizinhos para lembrar os nomes. O som eleva sua experiência em Stardew, colocando elementos para cada estação do ano e mudança de clima, sendo suficiente apenas o barulho da chuva caindo ou uma bela música em um dia ensolarado no verão. A trilha sonora também foi pensada de forma bem cuidadosa, sendo muito mais que algumas músicas para cada cenário do mapa, mas sim impactantes conforme o que fazemos no game.

Diante de tanta coisa boa, parece difícil encontrar defeitos em Stardew Valley, mas alguns são bem perceptivos e chegam a incomodar um pouco. A demora para abrir, salvar e carregar um jogo é espantosamente maior do que vemos no PC ou em outros consoles, e isso ocorre com uma certa frequência no game, já que o progresso é salvo automaticamente quando o dia termina; outro problema que chega a incomodar é a falha no áudio, que aparece em alguns momentos aleatoriamente e, às vezes, é necessário reiniciar o game para voltar ao normal. A Chucklefish já está trabalhando em uma atualização para corrigir esses problemas e, aparentemente, não tem intenções de adicionar suporte ao Motion Control ou à tela de toque do Switch – que não fazem falta.

Algo importante de lembrarmos: Stardew Valley não é para todo mundo, e isso pode ser essencial na hora de decidir comprá-lo. Aqueles que preferem sempre uma história linear e que não possuem tempo ou paciência para evoluir diversos elementos do game, devem passar longe de Stardew. Por outro lado, apenas a simpatia por jogos como Animal Crossing e Harvest Moon já desperta a atenção para Stardew, tornando-se um game obrigatório para os mais aficionados nesse tipo de jogo, tudo com o Switch sendo o melhor lugar para jogá-lo. Para quem pegou o jogo em outra plataforma, um dos motivos que justificam o recomeço da aventura no Switch é o multiplayer que chegará no começo de 2018, onde o será possível testá-lo primeiro no console da Nintendo e no PC; tê-lo em todos os lugares e o preço na eShop mexicana (em torno de R$ 29) são outros fatores que justifica a compra do jogo.

Em um ano de grandes jogos como Zelda e Mario, thirds pontuais e os muitos indies, uma das melhores coisas de 2017 foi a combinação das experiências diferentes de Stardew Valley e Nintendo Switch, e esperamos que essa parceria se estenda por muito tempo!


E você leitor? já jogou Stardew Valley? pretende comprar? nos diga nos comentários!

Este post foi escrito por Jonatas Marques

De RPG japonês até Candy Crush genérico, se me prende a atenção, estou jogando! Essa paixão transcendeu para a internet, onde escrevo sobre games na NL e no Medium.

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