Os vilões são uma figura interessante em todas as mídias que aparecem. E, muito mais do que os heróis, que essencialmente são iguais, os vilões podem tomar vários perfis, ideais e motivações. O bom herói nos inspira a sermos bravos, tal como Link, conforme meu último texto; e muitas vezes não passa disso. O herói bem trabalhado merece um vilão tão bem trabalhado quanto ele. Muitas vezes, o que torna o herói grande é o seu vilão.

As vezes o vilão é um país, um planeta, uma raça. As vezes é uma filosofia, um ideal. Pode ser uma grande empresa. E se tratando do vilão como uma única pessoa, existem vários tipos, citando alguns de várias mídias:

  • O vilão gêmeo do herói, que muitas vezes seu objetivo é destruir o herói para ele se tornar o herói, ser o único, um Doppelgänger, Dark Samus/Link, o Bizarro para o Superman;
  • O vilão líder da organização do mal, como o Ridley na franquia Metroid, Giovanni, em Pokémon Red/Blue/Crystal e recentemente em Ultra Sun e Moon;

  • O vilão que quer destruir tudo, muitas vezes por uma visão filosófica niilista, como o Thanos da Marvel e Kefka Palazzo de Final Fantasy VI;
  • O vilão que foi antes herói, muitas vezes por uma motivação sinistra em se tornar herói, por traumas ou vingança, como Sephiroth de Final Fantasy e o Superman em Injustice;
  • O vilão vingativo, que algum ocorrido em sua vida fez com que tivesse motivação de acabar com o herói, que é o que acontece com o Mandarin do filme Homem de ferro 3;
  • O vilão empresário/egoísta, que é muito bem exemplificado na imagem de Lex Luthor, o principal vilão do Superman;
  • O vilão que quer ser o mais forte a todo custo, como o Orochimaru do anime Naruto, o Freeza em Dragon Ball Z;

  • O vilão da URSS ou Alemanha nazista, em um padrão totalmente americanizado, como o M. Bison em Street Fighter e o General Mordem no Metal Slug X;
  • O vilão que só quer ver o circo pegar fogo, é o Coringa em Batman: O Cavaleiro das Trevas é a imagem perfeita para esse tipo de vilão, talvez a única;
  • O vilão salvador que quer eliminar todas as pessoas fracas na sociedade, como o Ultron no filme Vingadores 2 e, o nosso objeto de estudo de hoje, Wesker da franquia Resident Evil.

Entretanto, antes de continuar sobre Wesker, existem dois vilões que merecem ser citados, o Coringa, maior inimigo do Batman, e Myrrah, da franquia Gears of War.

Coringa tem uma posição interessante. Ele, em sua essência, é um vilão, porém já assumiu várias posições, herói e anti-herói. E a forma que ele é um vilão muda. Como suas principais formas, no filme do Batman de 1989, o Coringa possui uma índole mais mafiosa, um líder do crime, semelhante ao Coringa de Esquadrão Suicida (2016); há também sua versão no filme Cavaleiro das Trevas e nos jogos Batman: Arkham, em que ele é totalmente insano e sua função é somente o caos. Ele é um vilão versátil e polêmico, tendo uma alta popularidade inclusive na comunidade mais por fora da cultura pop. Mas, na grande maioria de suas aparições, seu único rival é o Batman e sua função é basicamente persegui-lo, quase como uma paixão.

A Myrrah, por sua vez, não a considero a vilã. Ela quer somente defender seu povo, pois uma espécie de outro planeta invadiu suas terras para consumir seus recursos até a exaustão. E assim começa seus métodos cruéis, mas justificados pela proteção de sua espécie. Claro, existe todo um contexto por trás, não só dela, mas um contexto da equipe principal e seus líderes no jogo, que também têm suas justificativas. Myrrah é a rainha que teve seu reino invadido por uma raça alienígena com métodos piores e sem misericórdia nenhuma. Refiro-me aos líderes que decidiram invadir o planeta, eles sim são de fato os vilões, enquanto os personagens jogáveis e outros sofrem por causa das decisões de seus líderes. E muito…

Mas enfim, vamos ao que importa: Albert Wesker.

Quem me conhece sabe que Resident Evil é minha segunda franquia favorita. O aspecto científico extremamente detalhado, os momentos irreais e de galhofa, a construção de muitos personagens, o universo coeso e complexo que foi construído, a história, mesmo com alguns furos, são elementos que me chamam atenção. Além do cenário, no geral, sombrio, as criaturas e suas transformações; e o mais legal: os vilões!!

Cada Resident Evil nos presenteia com um vilão diferente. O Wesker propriamente dito no primeiro, Willian Birkin no 2, o Nemesis no 3 mesmo apenas seguindo ordens. Lord Saddler, Alexia Ashford, Excella Gionne, Krauser, Jack Norman, Morgan Lansdale, Alex Wesker, enfim, são muitos os vilões marcantes na série. Mas nenhum marca tanto como Albert Wesker, não somente na série, mas nos games de maneira geral.

Eu tive a felicidade de jogar praticamente todos os jogos Resident Evil, com exceção dos que não saíram para plataformas Nintendo; mas joguei o 5. Não joguei tanto como gostaria, justamente por não ter para Nintendo, mas joguei o suficiente para finalizar algumas vezes e me divertir bastante.

Para deixar as controvérsias de lado, o 5 é um Resident Evil de fato devido a sua construção para o mundo da série. E, se tratando do vilão, Resident Evil 5 encerra uma história que começou há mais de 10 anos em sua data de lançamento.

Albert Wesker foi um experimento que deu certo. Oswell E. Spencer tinha anseios extremamente ambiciosos, e Wesker foi criado para fazer acontecer esses anseios. Porém, o próprio Wesker começou a ter objetivos escusos, ele também queria ser um deus de uma sociedade superior. Ele sonhava com um mundo em que somente os poderosos vivessem, somente os considerados dignos. Assim, Wesker começou sua jornada com um protótipo de vírus dado por Willian Birkin, no primeiro Resident Evil e seu Remake. Depois foi considerado morto, voltando somente em Code: Veronica, já com seus poderes em pleno funcionamento. Assim, depois de dar uma bela coça em Chris Redfield, retorna em Resident Evil 5 para encerrar seu plano maligno.

Em posse do vírus Uroboros, Albert Wesker se junta a Excella Gione para concluir seu plano maligno de salvar o planeta, selecionando exclusivamente os humanos mais capacitados para governarem ao seu lado. Sua ideia era lançar mísseis na atmosfera do planeta para semear o Uroboros e fazer sua seleção em toda a raça humana, assim, somente quem possui um DNA superior iria resistir ao vírus ter seus benefícios.

Logo, temos uma ideia do cerne do objetivo de Albert Wesker. Trocando os miúdos: Wesker percebeu que a humanidade não estava indo para um lugar bom, viu que as pessoas estão acabando com o mundo, que elas precisavam de alguém que pudesse liderá-las para um caminho bom, um caminho em que cada vez mais se tornem melhores do que são, tenham mais consciência e pensamento coletivo.

Percebemos que o objetivo de Albert Wesker, de fato, não é totalmente mau. Mau mesmo era sua execução, ele só queria ter um mundo com os seres humanos perfeitos. Ele via que o mundo estava ruim e precisa de uma renovação, de algo para evolui-lo. Entretanto, a execução do plano foi essencialmente má, sendo necessário eliminar todos os humanos com um DNA que não se adequava de forma molecular com o vírus, o que não quer dizer que a pessoa é inferior. São muitos os vilões que tem esse objetivo, de tornar a humanidade melhor, mas percebe que para isso é necessário exterminar a parte ruim da humanidade. Analisando de uma forma fria, realmente é necessário a humanidade se tornar melhor, mas não da forma que os vilões pregam.

Caminhando como está, a Terra não vai por um bom caminho, e isso depende principalmente da forma que nós, seus moradores, decidimos como trilhar esse caminho. Vilões como Albert Wesker são maus e cruéis, mas tem uma coisa neles que nos fazem refletir. Essa vontade de mudar o mundo, de ver que a humanidade não está caminhando para um bom final e precisa de mudança; o ímpeto em seus atos e determinação que vai até o fim, a percepção de que algo está errado. Só precisamos canalizar isso para gerar uma boa execução do plano, e um final melhor ainda!!

E, no fim, percebemos que se a execução do plano não fosse de uma forma cruel, o vilão seria herói. Ou Anti-herói…


Este post foi escrito por Kiefer Kawakami.

Sobre o autor: Iniciado nos games pelos pais e Nintendista desde Donkey Kong Country, busco nos games a jogabilidade. Possuo um amor incondicional pela franquia Metroid, além de Resident Evil e Half-Life.

Ele tem um blog pessoal de aleatoriedades sobre a vida e o Universo. Nesse blog ele escreveu um outro review. Leia mais clicando aqui.

Este post foi escrito por Nintendo Lovers

Veja outros posts de

  • Rubens Mateus Padoveze

    até onde precisamos respeitar a vontade dos outros? Acho que vilões como esse diriam “que vontade?”

    • Kiefer Kawakami

      Sim, o pensamento de que está certo faz o cara priorizar sua vontade acima das outras, pois seria mais importante. Do Wesker, pos exemplo, ele quer ser o deus de uma humanidade superior, mas de uma forma que ele controlaria todas as outras pessoas

    • NintendoLovers

      🙂

  • Bia Trapani

    Texto sensacional, nos faz refletir sobre a ideia inicial de haver um vilão e que muitas vezes ele é um personagem mais interessante que o herói e merece reconhecimento. Adorei a classificação dos vilões em categorias, e a citação de exemplos bem diversificados, desde Lex Luthor até o Orochimaru. Parabéns!

    • Kiefer Kawakami

      Obrigado Bia =D
      Eu realmente prefiro os vilões!! Eles são muito mais trabalhados na maioria das mídias

    • NintendoLovers

      =D