A história de amor e ódio entre Resident Evil e Nintendo

Antes de mais nada, quero informar que o texto vai ser dividido em duas partes, sendo a primeira parte de forma mais geral e analítica sobre a Capcom e a Nintendo, e a segunda parte possui um aspecto mais opinativo sobre exclusividade e rumores. Sabendo disso, vamos lá!!

A Capcom é uma das maiores empresas de jogos. Possui excelentes jogos hoje, assim como está desde 1983 produzindo games memoráveis. Tem um portfólio muito amplo, com games para praticamente todos os consoles que já foram feitos. Além disso, tem um histórico com pouquíssimo jogos ruins. De Ghouls’n Ghost, Mega Man e Breath of Fire até Street Fighter, Devil May Cry e Monster Hunter. De Commodore 64, Amiga até Zeebo. Definitivamente um sucesso absoluto. Para a Nintendo então nem se fala, vai de NES até Switch não perdoando nem os portáteis, de Game Boy até 3DS. Ou seja, uma parceira verdadeiramente íntima da nossa amada Nintendo. Aliás, será que é mesmo?

Sua história começa quase junto com a Nintendo. Seus primeiros jogos foram dedicados ao Family Computer e aos arcades, com Street Fighter fazendo muito sucesso. Mas aqui vamos pular alguns aspectos de sua história. Em 1989 a Capcom lançou para NES o jogo que foi responsável por uma das maiores franquias no mundo dos games (a segunda melhor, na minha opinião): Sweet Home.

Durante essa época estava tudo uma maravilha. Capcom lançando jogos para Nintendo a todo vapor, não perdoando nem jogos da Disney; um jogo melhor que o outro, fazendo vários jogadores felizes. Até que, em 1996, a Capcom lançou sua obra-prima: Resident Evil. Entretanto, ele foi para Playstation!! E, vejam, para Nintendo, nada…

Isso não quer dizer que a Capcom abandonou a Nintendo, ela ainda influencia na nossa amada empresa até hoje. Mas por que não foi para o Nintendo 64 se foi para o Playstation, sendo que já estava sendo desenvolvido desde 1993? Bom, a Capcom viu o rápido sucesso do PSone, seu hardware e quis aproveitar, além do fato do N64 ter dado as caras um pouco mais tarde. Mas mesmo assim, em 2000 saiu uma ótima versão do Resident Evil 2 para  Nintendo 64, provando que a Capcom não nos esqueceria tão cedo.

A maneira que Shinji Mikami pensava de Resident Evil só encaixaria em um console com poder para isso. Ele almejava ambientes 3D e poligonais, uma câmera, a princípio, em primeira pessoa. Isso, porém, ficava difícil até para o Playstation, então a equipe tomou a decisão de tornar Resident Evil um jogo em terceira pessoa com ambientes pré-renderizados e personagens poligonais. E essa foi a melhor decisão para a franquia. Sobre os controles, Shinji Mikami pede desculpas constantemente pelos comandos em tanque, mas isso aumentou demais o fator Survival Horror no jogo.


A famosa tela de loading de Resident Evil foi copiada de Sweet Home

Apesar dessa mancada, antes da traição a Capcom andava de mãos dadas com a Nintendo e o primeiro Resident Evil iria sair originalmente para o SNES, como uma recente entrevista afirmou. Aí a Capcom deu uma olhada para o Playstation besuntado em ouro (ou Nutella, já que nós da Nlovers gostamos de mergulhar coisas em Nutella, coisa que o ouvinte do Powdcast irá entender), brilhando, com uma base instalada enorme mesmo no começo, e desejou ardentemente desenvolver Resident Evil para ele (tal qual o meme do namorado distraído). E assim o fez.

Mas, depois de um tempo, a Capcom se arrependeu e voltou a trazer belíssimos Resident Evil’s “exclusivamente”, para a Nintendo. Atentem-se ao “EXCLUSIVAMENTE”.

Resident Evil Zero e o Remake foram os únicos Resident Evil da linha principal que realmente fizeram jus a exclusividade, sendo portados bem recentemente para outras plataformas. No caso de Resident Evil 4, por sua vez, Shinji Mikami afirmou que cortaria sua cabeça se saisse em outros consoles que não sejam Nintendo. Assim, a Capcom que provavelmente queria a cabeça de Shinji Mikami em um prato, lançou RE 4 até para NEO GEO (exageradamente falando, mas lançou, de verdade, até para Zeebo).

Resident Evil 4 é um dos jogos mais aclamados até hoje. Está em inúmeros top10 junto com Resident Evil 2. RE 4 reinventou a franquia e criou um novo modo de se jogar os jogos, sem perder o fator Survival Horror característico. Leon é um super agente nesse jogo, mas seus inimigos também são poderosos, equilibrando a ação no game.


Um produto exclusivo para Gamecube. Sua necessidade/usabilidade é questionável

O Gamecube era o console mais potente de sua geração, o que permitiu a riqueza em detalhes nas imagens e no som de seus “exclusivos”. Para o Playstation 2 foi prometido o Outbreak, acredito que devido a fácil conexão com a internet do console. Entretanto, o console mais vendido da história não tinha o poderio para tudo o que haviam proposto nos jogos da série numerada, como Shinji Mikami diz. Isso se prova com o fato de que o Resident Evil 4 foi portado posteriormente com um downgrade absurdo, tirando muito da iluminação, sombras, névoa, poças de água, resolução baixa, texturas com menos detalhes. Enfim, a Capcom tirou tantos elementos do jogo para lançá-lo até para smart TV; o que foi bom, ajudou demais a divulgar e torná-lo um dos maiores da franquia.

Também como exclusivo veio o Resident Evil Mercenaries 3D, para 3DS. Basicamente uma extensão dos modos mercenaries dos jogos anteriores. Divertido, porém, dispensável. Citando alguns mais obscuros e desconhecidos, temos Resident Evil Gaiden, para Game Boy Color, e um port do primeiro Resident Evil para Nintendo DS, o Deadly Silence, com alguns modos exclusivos que aproveitam a tela de toque . Esses são bons jogos que permaneceram exclusivos e provavelmente vão continuar.


Esse é exclusivo mesmo, não tem nem em Virtual Console

Continuando com portáteis, a Capcom nos presenteou com um spin off da franquia que foi um sucesso absoluto e, particularmente, um dos meus Resident Evil’s preferidos (até jogar o Revelations 2) e o motivo de ter comprado um Nintendo 3DS: Resident Evil Revelations.

Revelations é um spin off que se propõe a voltar às origens da franquia. Com um foco maior no survival horror sem perder a ação, também é outro Resident Evil que caiu nas graças do público. Sua jogabilidade é a evolução do 4, sendo um jogo divertidíssimo e com um fator replay imenso. Só quero citar que ele tem os piores monstros padrão de toda a série para se enfrentar, os XXX. Eles são terríveis pois parece que você está tentando atirar em um boneco de posto, de tanto que ele rebola ao andar. Mas isso não tira os méritos do jogo, só somam ao desafio.

Mas, como a Capcom gosta apenas de exclusivos temporários, depois de um tempo Revelations foi portado para todos os próximos consoles da geração, ganhando inclusive uma sequência, com novos capítulos e o retorno de personagens icônicos da série. Com o acréscimo de novas criaturas, uma nova empresa e muitos personagens, acredito que o Resident Evil Revelations é o que possui a história mais coesa da franquia considerando todos os que joguei.

É curioso que, tendo originado o spin off na Nintendo, o Revelations 2 não apareceu para Wii U, sendo lançado somente recentemente para Switch. E, bom o Switch merece uma parte desse texto, mas daqui a pouco.


Um modo interessantíssimo de Resident Evil Revelations 2, exclusivo para Nintendo Switch

A Capcom também nos trouxe os jogos Darkside Chronicles e Umbrella Chronicles, que são alguns capítulos isolados e outros exclusivos da franquia, explicando algumas partes que nunca foram explicadas e acrescentando outras, como a história da amizade de Leon e Jack Krauser. Os jogos são “Em trilhos”, em que os personagens andam sozinhos e o jogador basicamente atira utilizando o Wiimote e, posteriormente, o Ps move. Sim, foi fiel para Wii por pouco tempo e portado para Playstation depois.

Ambos são jogos divertidíssimos, a ação é frenética e o jogo incentiva com pontuação que pode ser convertida em upgrades nas armas. Além disso, é muito satisfatório revisitar as áreas clássicas dos jogos mais antigos e enfrentar os bosses que enfrentamos em nossa juventude

Originalmente sendo desenvolvido para SNES, Resident Evil possui alguns elementos que caracterizam muitos jogos da Nintendo. Várias área com muitos puzzles a serem resolvidos e Backtracking, muito backtracking, sem contar a dificuldade intensa.

Backtracking é uma coisa que pode ser cansativa se exagerada. Resident Evil, entretanto, faz isso com maestria. Você acha muitas chaves, muitos itens para puzzle, mas não se torna frustrante pois o ambiente do game cativa o jogador, fazendo com que ele se sinta dentro e queira resolver o problema. A ação e o medo também são elementos que motivam, além de sua história, que é sensacional.

Sobre Backtracking, Shinji Mikami pegou muito do que fez com Goof Troop (1993), para SNES, como base para o Resident Evil. Goof Troop precisa de muitas voltas, itens diferentes, discussões com o amiguinho, para se chegar ao fim. Não cheguei a jogar tanto, mas sei que é um complexo jogo com muito backtracking e um multiplayer sensacional e essencial para finalizá-lo.

A Capcom, apesar de tudo, está nos nossos corações. Ela tem todo o prestígio de seus jogos, independente dos consoles em que está e de sua exclusividade. Merece nossos dinheiros por seus jogos excelentíssimos! Sobre os rumores, seu futuro na Nintendo e coisas assim, fica para a parte 2. Enquanto isso, podemos abrir uma discussão nos comentários!!

Referências

http://nintendo.wikia.com/wiki/Resident_Evil_(series)

http://www.residentevildatabase.com/resident-evil-foi-originalmente-planejado-para-o-snes/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_jogos_da_Capcom#Famicom_/_NES

http://www.residentevildatabase.com/hyper-capcom-special-entrevista-com-shinji-mikami-e-tatsuya-minami/

http://www.residentevildatabase.com/livro-traduzido-the-true-story-behind-biohazard-3/

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Kiefer Kawakami

Sobre mim: Amante dos games, acredito que eles podem mudar a vida das pessoas e fazê-las mais felizes, bem com aconteceu comigo. Possuo um amor incondicional pela Nintendo desde Donkey Kong Country e Super Metroid. Sou estudante de Licenciatura em Física e pretendo utilizar os jogos de forma lúdica, exemplificando histórias e conceitos. Além disso quero divulgá-los, para que as pessoas vejam a maravilha que são e podem ser.