The Escapists 2: Uma Fuga do Barulho

Aaaaah, a prisão! Um ambiente que na vida real nos dá calafrios só de pensar em passar uma noite lá, mas que, tratando-se de mídia de entretenimento, é tão divertido e nos remete a imensas e gratificantes experiências, principalmente quando o objetivo é escapar dela.

Com um ar de filme de fuga da Sessão da Tarde, essa é a premissa do The Escapists 2. Eu já tinha vontade de testar este jogo, então imagine a minha satisfação quando vi que a Team17 gentilmente enviou uma key dele para que nós pudéssemos fazer uma análise. E é isso que vos trago hoje.

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Antes de começar o review, vou dar uma pequena e simplificada sinopse do jogo: ele é um game bem humorado que consiste em você planejar e executar a sua fuga da prisão,porém tome cuidado com a rotina diária no presídio (chamada de presos, refeições, horário de exercícios, banho, etc). Quebrar essa rotina chamará muita atenção dos guardas, podendo impedir a sua fuga e, dependendo da gravidade dos seus atos, fazer você dormir na solitária.

Entretanto, antes que você desanime com a atenção às tarefas rotineiras, saiba que basta entrar no setor que você estará livre daquela atividade. Exemplo: horário de café da manhã em que o simples ato de entrar e sair do restaurante te deixa livre pra fazer o que quiser durante aquela hora.

Enfim, este é um jogo que dá amplas possibilidades para você fugir, pois não há um caminho correto a seguir, ou seja, é permitido ao jogador ser o arquiteto da fuga perfeita.

Primeiras impressões

Num primeiro momento foquei em customizar meu personagem, tentando fazer uma série de ícones da cultura Pop (isso me custou alguns minutos divertidos). Terminadas as customizações, fui para a primeira prisão: um pequeno tutorial do que estava por vir.

Sexta-Feira 13 episódio 77.654: Jason vai para a prisão.

O tutorial é básico, bem linear e, na minha opinião, não ilustra com precisão o que é o jogo em si, pois é focado basicamente na mecânica de craft e na realização de uma fuga da prisão, usando somente uma das possibilidades que o jogo fornece.

Após aprender o básico do jogo, já na segunda fase, ele, que segurou sua mão e te conduziu durante o tutorial, te deixa livre sem um norte para seguir. Nesse ponto acho que foi uma quebra muito brusca e me causou dificuldade, mas talvez tenha sido pelo fato de eu nunca ter jogado o primeiro jogo.

Por outro lado, o foco do jogo é te dar liberdade para pensar e agir, então não teria muito sentido um tutorial gigantesco.

Um ponto que destaco por considerar que pode ser impeditivo para muitos é o fato de o jogo estar em inglês, o que pode prejudicar o entendimento das piadas do jogo e demais descrições de itens e side quests.

A paciência é uma virtude

Para aqueles que gostam de um jogo de ação desenfreada, talvez sintam um pouco de monotonia neste título, pois a rotina da prisão, além de dificultar a sua fuga, serve para você conhecer o presídio (incluindo os seus pontos de fuga) e planejar a fuga. Saiu da rotina? Se prepare para ser caçado.

Chamada de presos, uma das atividades obrigatórias.

Além de respeitar os horários do cárcere, você precisará fabricar itens e, para isso, necessitará fortalecer sua inteligência lendo livros na biblioteca. Para lutas corporais, precisará ter um físico bem definido e malhar na academia. Esses pontos de inteligência, vitalidade e força são adquiridos por meio de mini-games simples, mas que demandam um bom tempo até que você atinja o nível máximo. Porém, cada atividade – seja ler um livro, praticar exercícios ou até mesmo cavar um buraco para fugir – consome energia (impedindo-o de continuar quando ela fica zerada) que é recuperada, por exemplo, descansando ou comendo.

Construindo sua fuga

Um dos pontos principais do jogo é a construção de itens que te auxiliarão na sua desenfreada busca pela liberdade. Todavia, buscar itens é baseado exclusivamente na sorte. Você deve procurar pelos materiais nas mesas de outros detentos e isso pode ser um tanto quanto demorado, mas momento algum chegou a me incomodar.

Que venha a madeira! Que venha a madeira!

Obteve os materiais? Hora de fabricar itens! Aliás, esse é um “problema” que vi no jogo. O menu de craft é baseado em nível de inteligência da personagem e não em “tipo” de construção. Por isso, muitas vezes perdi muito tempo do meu dia pesquisando itens para produzir. Por exemplo: uma situação que me frustrou um pouco era quando eu tinha que trabalhar como pintor pra conseguir dinheiro. Neste momento, eu tinha que craftar as minhas ferramentas de trabalho, mas pesquisar os itens no menu é burocrático e algumas vezes deixei de ganhar dinheiro pela execução do meu trabalho por conta da demora em fabricá-los.

Menu de craft. Me perco um pouco procurando as coisas nele!

Particularmente, eu prefiro uma mecânica de construção no estilo Stardew Valley em que o jogo pausa enquanto você estuda e fabrica os itens, mas isso é uma opinião pessoal e eu respeito a decisão dos desenvolvedores.

Tem algum item que não consegue encontrar? É possível comprar alguns deles de outros detentos. Para isso você terá que juntar dinheiro realizando side-quests ou trabalhando para o presídio. A propósito, com o dinheiro obtido você pode dar presentes para guardas e detentos, assim você consegue até mudar a opinião deles sobre você (para o bem ou para o mal).

No entanto, caso falte dinheiro, poderá imperar a lei da prisão, em que os fortes batem nos fracos para roubar seus itens. Ainda, é permitido roubar itens de presos que foram nocauteados por outras pessoas.

Quanto ao sistema de combate, ele é bem simples e envolve apertar um único botão. Combatendo você pode, inclusive, derrubar um guarda para roubar suas roupas ou clonar uma chave.

Porradaaaa! Porradaaaa!

Dificuldade

Este é um jogo difícil? A resposta é: depende. Ele tem a dificuldade definida pelo próprio estilo de fuga adotado. Alguns planos são mais demorados e arriscados. Há outros em que apenas alguns minutos são necessários para você escapar.

Por isso, não tem como eu cravar e dizer que o game é fácil ou difícil. A maior dificuldade que percebi é que, como disse anteriormente, ele não segura a mão do jogador em nenhum momento, e isso pode deixar alguns jogadores “perdidos”. Superada essa barreira, é você que vai definir quão difícil e audaciosa será a sua escapada.

Tentativa e erro

Muitas vezes você cometerá erros e prejudicará a sua fuga, tendo que repensar partes do plano ou até mesmo recomeçá-lo. Para algumas pessoas isso pode ser frustrante. Porém, o jogo não dá “game over”, você continua o dia normal, o que muda é que talvez você tenha que, por exemplo, recomeçar a cavar o buraco que a polícia descobriu e tampou.

Tentar cortar a cerca durante o dia não é uma boa ideia! Será perseguido, caso tente (lockdown)

Há diversos fatores que podem comprometer o sucesso de sua operação, por isso uma dose de cuidado em cada ação é necessária. Vai deixar um item contrabandeado guardado na gaveta? Coloque no compartimento secreto ou pode ser que você a perca durante uma revista de rotina à sua cela! Está vasculhando celas de outros presidiários? Cuidado com guardas, pois eles conseguem te ver pelas grades. Vai cavar? Tenha certeza que você tampou a visão dos guardas colocando lençóis nas grades. Percebe a complexidade das coisas que você tem que fazer e evitar para que saia do complexo penitenciário com sucesso? Esse pra mim é o ponto forte do jogo.

Esconda suas ferramentas no compartimento secreto.

O que você faz de meia-noite às seis?

Devido aos afazeres da cadeia, ao longo do dia quase não sobra tempo pra você construir artefatos ou, por exemplo, cavar um buraco. A noite pode ser uma boa hora para você fazer essas tarefas, mas cuidado com os holofotes para não ser pego quando estiver do lado de fora.

Enquanto a cidade dorme, eu cavo!

Contudo, o jogo não é simplesmente fugir de um complexo penitenciário. Há fases, por exemplo, em que você tem que fugir do trem que está te levando para o cárcere. Nesse modo você tem um limite máximo de tempo para ter sucesso em sua empreitada. Veja a imagem abaixo:

Fugir de um trem em movimento não parece uma boa ideia

Formação de quadrilha

O jogo conta ainda com a opção de jogar multiplayer coop ou competitivo (offline e online). Inclusive, há formas de fuga que dependem de outro jogador para que se tenha sucesso. Como nenhum de meus amigos tem o jogo, tentei jogar online com pessoas aleatórias e infelizmente não consegui localizar ninguém.

Todavia, apesar do fracasso em conseguir jogar online, acredito que jogar com amigos é a chave para o sucesso, pois creio que conversar (seja coop de sofá, seja online) e arquitetar um plano juntos é muito mais divertido quando estamos com pessoas conhecidas.

Se você possui este jogo e já jogou online, gostaria que você relatasse sua experiência. Isto poderá ajudar outras pessoas.

Veredito

The Escapists 2 é um jogo de paciência que te dá liberdade para fazer e planejar tudo nos mínimos detalhes. É um jogo em que você passará muito tempo pensando no plano, buscando itens e executando tarefas rotineiras, ou seja, não é um jogo focado na ação.

Saber se planejar e pensar em estratégias que os desenvolvedores nunca teriam previsto é, sem sombra de dúvidas, trabalhoso mas muito recompensador quando você obtém êxito. Por isso, considero que toda essa liberdade é um dos pontos fortes do game, mas isto pode afastar muitos jogadores. Além disso, a frustração de ver seu plano de fuga ser descoberto por guardas e ter que remar tudo de novo pode arruinar a experiência de alguns.

Eu particularmente gostei muito da ideia e de jogar este game. Adorei o bom humor, os gráficos pixel-art lindos e bem detalhados e a jogabilidade fluida, cadenciada e gostosa. Se você se encaixa nesse estilo de jogo, vá em frente pois vale a pena.

Ressalto que ainda não zerei o jogo, até por que estou tentando, em cada cenário, várias possibilidades que me vêm à mente. Jogar sem compromisso é uma grande virtude dele e é por isso que gostei tanto.

Se você se interessou por este título, deixe nos comentários o que mais te chamou a atenção.

Se você já jogou, deixe sua opinião e ajude outros jogadores a tomarem a decisão de comprá-lo ou não.

Obrigado por ler mais este review e até o próximo post!

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Tovar

Nintendista desde os 8-bits, pulei somente a geração GameCube (que recuperei com o Wii). Sou fã de The Legend of Zelda, Donkey Kong, Mario, Mega Man, etc. Resumindo: sou fã de jogo bom!