[REVIEW] Rogue Legacy

Roguelikes costumam afastar pessoas que não querem uma jogabilidade difícil e frustrante. Rogue Legacy, entretanto, possui diferenciais que facilitam e tornam o avanço satisfatório. Porém, será que isso é bom? Confira nossa análise abaixo.


Ficha Técnica

Título: Rogue Legacy

Tamanho:  234 MB

Desenvolvedora/Publicadora: Cellar Door Games

Jogadores: 1

Em português: Sim

Gênero: Roguelite, Plataforma, Ação



ROGUE LEGACY

Rogue Legacy é um jogo independente desenvolvido pela Cellar Door Games. A equipe – uma pequena mas altamente capacitada equipe – desenvolveu um jogo com grandes inspirações em Castlevania: Symphony of the Night, mas também com grandíssimos diferenciais. Ao jogá-lo, você perceberá as influências do grande clássico do Playstation nas criaturas, habilidades e movimentação. Entretanto, o core do jogo é totalmente diferente, com uma árvore de habilidades complexa e completa, desenvolvido para os jogadores que gostam de desafios; e um aspecto roguelike bem implementado que não traz frustração, mas instiga e satisfaz quando uma dificuldade é superada.

HISTÓRIA

Aconteceu uma traição! Um homem misterioso matou o rei e uma família foi designada a descobrir o mistério. Detalhe que é literalmente a família INTEIRA que investiga o mistério. Do tetravô até o heptaneto de seu heptaneto.

A história é contada por meio de um príncipe que o faz lentamente por meio de registros que os seus personagens encontram ao longo do jogo, desenvolvendo o mistério, colocando desafios, dando dicas para a jornada e narrando algumas coisas que ele já fez, mas seu herói está por fazer ainda. E o melhor: tudo em português.

JOGABILIDADE

Rogue Legacy possui a jogabilidade intuitiva e bem responsiva. O pulo é sensível conforme o tempo que segura o botão, e pra quem jogou algum Castlevania não terá dificuldade nenhuma, pois são basicamente os mesmos comandos. Algumas habilidades, chamadas de runas, podem ser compradas e novos movimentos e habilidades são ativados. A quantidade de upgrades que você pode fazer é imensa! A quantidade de ouro dropada pode ser aumentada, novas classes com novas habilidades podem ser compradas, além de alterar os armamento e equipamentos, podendo ser mágicos ou não, e outras customizações. Toda essa árvore de habilidades e a quantidade de equipamentos para se comprar é enorme.

Tal qual Symphony of the Night, é possível quebrar vários objetos do cenário, como candelabros, estátuas, tocos de árvore, pedaços de armadura, etc., e os objetos quebrados podem deixar algum item para coletar, como ouro, comida que recupera o HP e poções que recuperam o MP.

Em Rogue Legacy, seu fator roguelike vem quando seu personagem morre. Nesse momento, você permanece com o dinheiro, mas perde seu avanço no mapa, gerando um novo mapa quando retorna ao jogo. Entretanto, quando vai jogar novamente, você não volta com seu personagem anterior, mas sim com um dos seus três filhos. E quando morre de novo, é novamente com um dos três filhos, ocasionando uma geração inteira de filhos que vão continuar a luta do pai ou mãe, e morrer tentando.

E o maior diferencial do jogo ocorre nesse aspecto, de jogar com os filhos dos filhos dos filhos dos filhos… E cada um vem com alguma característica diferente que afeta a jogabilidade. Vou elencar abaixo alguns exemplos e o que causam no jogo.

  • Miopia – a tela fica desfocada nas bordas externas, longe do personagem
  • Careca – não possui cabelo…
  • Vertigem – terrível, olhem a imagem logo abaixo
  • TDAH – movimentos mais rápidos
  • Coprolalia – fala palavrões
  • Nostalgia – a tela fica com aspecto de filme antigo
  • Desajeitado – quebra os objetos
  • Cegueira Estéreo – não consegue ver em 3D
  • Alzheimer – não grava o mapa

TRILHA SONORA

O jogo possui uma trilha sonora agradável e que combina bem com o ambiente. Depois do tutorial e introdução do jogo, ao entrar no castelo, a primeira música é bem convidativa, usando muito bem de sintetizador e objetos comuns para fazer barulhos, como o típico som de um saco de moedas e algumas batidas graves que originalmente não provém de algum instrumento musical.

A trilha tem uma pinta de músicas da geração de 8 e 16-bit, mas utilizando-se instrumentos atuais. Entretanto, dá para notar que são poucos instrumentos elétricos, dando um foco maior na naturalidade do som.

O mais incrível é que Judson Cowan, o compositor da trilha sonora, afastou-se de músicas com temáticas medievais, ocasionando assim uma ótima quebra de expectativa. A música do castelo, por exemplo, dá muito mais a sensação da construção de um castelo, do que algo mais medieval. Inclusive, por se tratar de um roguelike, o fato da música acometer-se a Construção de um castelo é uma ótima referência, tanto que na tela de Loading aparece escrito Construindo. Eu realmente gostei da primeira música, lembrando-me muito a Doo Bad Shi Doo da animação Tarzan (1999) da Disney, em que os símios usam objetos de uso comum na época para fazer som.

CONCLUSÃO

No geral, Rogue Legacy é um jogo para jogar enquanto ouve podcast, pensa sobre as aleatoriedades da vida, escreve um texto, uma tese, esfria a cabeça e não se frustra. Ele desperta sua curiosidade e a criança interior que sempre gostou de explorar e descobrir o mundo. Posso dizer que Rogue Legacy é um ótimo roguelike, com acréscimos interessantíssimos e uma história sensacional.

Por isso, você pode jogá-lo sem medo, e curtir a viagem e exploração nesse castelo magnífico. Se você já jogou, diga-nos o que achou nos comentários.

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Kiefer Kawakami

Sobre mim: Amante dos games, acredito que eles podem mudar a vida das pessoas e fazê-las mais felizes, bem com aconteceu comigo. Possuo um amor incondicional pela Nintendo desde Donkey Kong Country e Super Metroid. Sou estudante de Licenciatura em Física e pretendo utilizar os jogos de forma lúdica, exemplificando histórias e conceitos. Além disso quero divulgá-los, para que as pessoas vejam a maravilha que são e podem ser.